30 jun

Os desafios da indústria de compósitos

O ano passado foi tão diferente – e confuso – que seus reflexos ainda estão sendo sentidos pela indústria brasileira de materiais compósitos.

Após o abrupto encolhimento do consumo nos primeiros meses da pandemia, houve uma surpreendente reação em meados de julho. Tão grande que certos segmentos, como o de piscinas, registraram recordes históricos de vendas. O mercado agrícola, imune à crise sanitária, também puxou para cima a demanda por compósitos, na forma principalmente de implementos e componentes de caminhões.

Em paralelo, os preços dos insumos dispararam em todo o mundo. Turnos reduzidos por causa da pandemia e algumas questões localizadas, como a nevasca no Texas, que interrompeu o funcionamento de plantas petroquímicas, reduziram de forma importante a disponibilidade de determinadas matérias-primas usadas na produção de resinas termofixas.

Assim, a combinação de baixa dos estoques em um primeiro momento com a recuperação da demanda global, que ficou bem acima das capacidades produtivas de toda a rede de suprimentos, determinou a escalada de preços que estamos acompanhando.

É importante salientar, contudo, que as cadeias produtivas dos outros materiais têm experimentado situações semelhantes ou até mais radicais em termos de subidas de preço. Por exemplo, o aço. Até junho de 2021, o valor praticado no Brasil acumulou alta de 65%. O salto foi de impressionantes 149% se considerados os últimos 12 meses.

De volta aos materiais compósitos, a escassez de fibras de vidro também é um fator preocupante. As importações da Ásia, que eram responsáveis por suprir 25% da demanda brasileira, caíram 80% no primeiro trimestre de 2021. A capacidade doméstica, por sua vez, não é suficiente para dar conta do volume exigido pelos transformadores em tempos de retomada econômica – alta de 1,2% do PIB de janeiro a março e expectativa de 4,6% no ano.

São esses os desafios colocados na mesa da indústria brasileira de compósitos, e não há saídas fáceis, ao menos por enquanto.

Pelos lados da INEOS Composites, manteremos inalterado o compromisso de longo prazo com os nossos clientes. Desde o início de nossas atividades no Brasil, criamos alianças baseadas em relacionamentos duradouros e sustentáveis para todos os envolvidos. E essa continuará sendo a nossa estratégia, a despeito da duração e força das turbulências.

Fábio Sanches é diretor comercial para a América do Sul da INEOS Composites

 

Fonte: SLEA Comunicação

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