23 jun

Mais semelhanças que diferenças

Ao longo das últimas semanas, dedicamos o Compósitos em Foco – nossa série de entrevistas em vídeo – a discussões sobre os mercados da Argentina, Chile e Colômbia, países que abrigam sedes regionais da ALMACO.

Essas conversas reiteraram aquela velha máxima sobre a região, de que muito mais semelhanças nos unem do que diferenças nos afastam.
Sim, o mercado brasileiro de compósitos é maior. Em 2019, em nosso último levantamento pré-pandemia, o país consumiu 218 mil toneladas, bem à frente de Argentina (30-40 mil toneladas), Chile (30 mil toneladas) e Colômbia (35 mil toneladas).

Porém, afora a questão do volume, há diversos pontos em comum entre a gente e os nossos hermanos. Todos, com exceção da Argentina, vinham bem até eclodir a pandemia. Depois, todos – daí sem exceções – se recuperaram de maneira bastante vigorosa e, em 2021, a escassez de matérias-primas tem sido o principal obstáculo para curvas ainda mais acentuadas de crescimento.

Vejamos mais de perto a situação de nossos vizinhos.

Argentina

A economia já vinha em retração antes mesmo da pandemia. Com o início da crise sanitária, o tango desafinou totalmente, sobretudo diante da interrupção dos investimentos públicos em construção e saneamento, dois mercados importantes para os compósitos naquele país. A partir de agosto, o cenário virou, e o tradicional aquecido segundo semestre ferveu ainda mais, graças às vendas em alta para os segmentos de lazer, embarcações e reformas.

Já a primeira metade deste ano se beneficiou muito mais da demanda gerada por projetos do ano passado do que por novas situações. O quadro tende a mudar com o esperado salto do consumo entre julho e dezembro, a despeito das dificuldades econômicas vividas pela Argentina, muito ainda em função da pandemia, e pelos problemas em relação ao acesso às matérias-primas.

Chile

A dependência da indústria de mineração, responsável por absorver algo em torno de 30% do volume de compósitos produzidos no Chile, ajudou as empresas locais a atravessar os meses mais complexos de 2020. Isso porque o governo chileno autorizou os negócios relacionados à extração de minério a permanecerem funcionando durante a pandemia. Assim, a queda nos primeiros meses da crise sanitária foi amenizada – os segmentos que mais sentiram o tombo foram o de construção civil e saneamento.

O reaquecimento do mercado veio a reboque da maior circulação de recursos entre as famílias. Pela primeira vez na história do país, o governo fez devoluções de créditos tributários aos chilenos, como forma de ampará-los durante a pandemia. Resultado: bombou a procura por piscinas e banheiras de compósitos. Agora, a expectativa é que grandes projetos de dessanilização de água, mais os investimentos da indústria de salmão, resultem em aumento da procura por tanques e tubos feitos com o material.

Colômbia

Sentida até julho de 2020, a forte retração causada pelo início da pandemia foi amenizada pela massiva liberação de recursos governamentais destinados à infraestrutura e transporte. No primeiro caso, os gastos se concentraram na ampliação da rede de energia e internet, movimento que soou como música para os ouvidos dos fabricantes de postes de compósitos. Em relação ao transporte público, devido à necessidade de reduzir a ocupação dos veículos, mas sem impedir que as pessoas pudessem se locomover, a administração colombiana fez o esperado: comprou mais ônibus, o que ajudou a aumentar o giro de toda a cadeia local de compósitos.

Neste ano, a demanda pelo material se manteve em alta, reforçada ainda pelas obras de saneamento. Projeta-se, então, um salto de 15-18% no crescimento da produção na primeira metade do ano, número que poderia ser quase o dobro, não fosse a escassez de matérias-primas.

Erika Bernardino Aprá é presidente da ALMACO

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