03 jun

Recuperação mundial acelera preços de insumos

A retomada econômica nos países que conseguiram avançar com a vacinação contra a covid-19, especialmente puxada pelos Estados Unidos e China, deu o tom no desempenho das commodities metálicas e no barril no Brent em maio. O minério de ferro, por exemplo, apresentou alta de 5,3% no mês passado, depois de bater um recorde histórico. Já a evolução do petróleo no período foi de 3,28%, para os contratos para entrega em julho.

As outras commodities metálicas também acumularam ganhos no mês passado. Com cotação na LME, em Londres, o cobre alcançou US$ 10,17 mil a tonelada, alta de 2,33%, o níquel cresceu 1,89%, chegando a US$ 17,84 a tonelada.
O zinco bateu US$ 3,05 mil a tonelada, aumento de 4,64%, o chumbo chegou a US$ 2,20 mil a tonelada, 2,99% maior que em abril. O estanho, material muito usado na indústria eletrônica, chegou a US$ 30,74 mil a tonelada, alta de 6,12%. O alumínio também apresentou desempenho positivo no mês passado. O preço da tonelada do metal ficou em US$ 2,1 mil, evolução de 6,33%.

Em minério de ferro, os preços encontraram novo fôlego ontem, acompanhando o movimento de valorização dos produtos siderúrgicos no mercado chinês e rumores de que as restrições à produção de aço no principal polo chinês, em Tangshan, caminham para ser flexibilizadas.

De acordo com a publicação especializada Fastmarkets MB, o minério com teor de 62% de ferro avançou 4,4% no porto de Qingdao, para US$ 198,83 por tonelada. Com esse desempenho, a principal matéria-prima do aço encerrou maio, mês que foi marcado pelo novo recorde de preços da commodity, de pouco mais de US$ 237 por tonelada, com maior volatilidade em 2021. No ano, os ganhos chegam a 24%.

“Quando se compara o fechamento com abril, teve um aumento de US$ 12. No entanto, o preço na metade do mês bateu US$ 230, o maior nível da série histórica. Então, em algum momento, a cotação subiu quase US$ 47. Uma volatilidade absurda”, disse Daniel Sasson, analista de mineração e siderurgia do Itaú BBA.

Segundo ele, esse sobe e desce nos preços depois de bater a máxima, fez com que o próprio governo da China fizesse pressão sobre o mercado, pois Pequim se mostrou preocupado com os altos níveis das commodities em geral. “Esse movimento, foi visto como um risco a estabilidade econômica e com isso os investidores ficaram com mais receio com os preços e houve a acomodação.”

Sasson, no entanto, acredita que a normalização dos preços da principal matéria-prima do aço deverá ocorrer no segundo semestre. “Isso deve acontecer conforme o aumento da oferta de minério de ferro à medida que a produção da Vale e outras mineradoras cresça e a demanda chinesa dê uma acomodada.”

Já a alta no barril do Brent foi puxada pela melhora da economia mundial. Rafael Foscarini, da Belo Research, avalia que a recuperação do PIB global neste ano é sentida muito mais no petróleo. Isso porque com a economia retomando o ritmo há mais mobilidade e mais consumo. Em maio, o barril do Brent fechou cotado a US$ 68,95, um ganho acumulado no ano de 33,06%.

“A OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) já revisou para cima o PIB mundial neste ano, de alta de 5,6% para 5,8%. Isso por causa da vacinação. E isso afeta positivamente os preços das commodities, em especial o petróleo”, ressaltou.

Segundo ele, com o aumento da demanda global de petróleo há a expectativa de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reduza as restrições à produção na reunião que acontece nesta semana. “O preço tende a subir com a demanda mais previsível no curtíssimo prazo.”

Fonte: Valor

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