27 maio

Exploração de óleo e gás ganha senso de urgência

A interrupção imediata da perfuração de novos poços de petróleo, sugerida pela Agência Internacional de Energia (AIE) como forma de assegurar os cortes de emissões previstos no Acordo de Paris, reforça o senso de urgência na indústria de óleo e gás sobre a necessidade de busca de novas descobertas, antes que a demanda comece a recuar. Embora a moratória tenha sido recebida mais como um gesto simbólico de pressão sobre governos e petroleiras e menos como um risco real ao setor, a percepção no mercado é de que a transição energética se tornou um caminho sem volta e que a janela de oportunidade para exploração se fechará em algum momento.

A expectativa, no entanto, é que as atividades no Brasil ganhem impulso nos próximos anos, diante da recuperação gradual dos preços do barril. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) projeta investimentos de R$ 6,5 bilhões em exploração de óleo e gás no Brasil em 2021. São estimados 19 poços offshore (em mar) para este ano, número ainda baixo mas quase quatro vezes superior às cinco perfurações de 2020, quando as campanhas foram prejudicadas pelo choque de preços da commodity e pelas restrições nas atividades a bordo ante a pandemia de covid-19. Entre as operadoras com projetos previstos para este ano estão Petrobras, Shell e ExxonMobil. Depois de um investimento maciço das grandes petroleiras nos leilões dos últimos anos, é hora de começar a perfurar as áreas adquiridas.

ANP estima ao menos R$ 6,5 bilhões de investimentos em exploração de óleo e gás no Brasil neste ano

Para o coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), William Nozaki, há sinais de que haverá uma aceleração nas atividades exploratórias no Brasil, como reflexo do sucesso dos grandes leilões ocorridos desde 2017. Segundo o pesquisador, o sucesso das petroleiras no processo de transição energética está atrelado, justamente, à capacidade das companhias de renovarem suas reservas.
“Esse novo aumento do preço do petróleo torna improvável que essa recomendação da AIE, de suspensão da perfuração de novos poços, seja seguida”, diz. “É inexequível imaginar a transição energética sem o papel da indústria petrolífera. É o petróleo que está financiando a maior parte dessa transição”, acrescenta.

Fonte: Portos e Navios

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